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Artigo fundamental para quem está envolvido com transformar livros, romances, histórias em roteiros.
A simplicidade do texto, e a maneira leve de enfrentar o assunto podem distrair o leitor da profundidade
das questões discutidas pelo autor. Seleção de série de palestras sobre roteiro industrial da Comunidade Européia.
 

ADAPTANDO LIVROS PARA TELEVISÃO
por Adrian Hodges

 Reporter de Screen International, Executivo de Aquisições para Thorn EMI Screen Entertainment,
Chefe de Desenvolvimento no Fundo de Desenvolvimento Nacional de Filme,
sendo roteirista de TV e cinema a tempo pleno desde 1990.

 

Adrian Hodges começou sua palestra perguntando:

"Que tipo de livros fazem boa televisão?"

E ele respondeu analisando o que livros fazem melhor e o que televisão faz melhor.

 Livros, ele disse, são um meio imaginativo, o leitor tem uma relação unica com o romancista e os personagens.
TV, entretanto, é um meio literal, impondo a imagem do personagem sobre o espectador.  Livros podem explorar a vida interior dos personagens, enquanto a TV, em geral, não pode.  Livros podem levar tempo até demonstrar um ponto, enquanto a TV depende de ritmo, intriga, ação e incidentes.  Livros são invariavelmente mais longos que roteiros de TV.  Livros podem ter muitos pontos de vista, e na maioria das vezes drama de TV é contado com a camera neutra,
um observador objetivo.  Grande Tv depende de seus personagens, enquanto bons livros conseguem escapar
apenas com muita intriga.  Livros podem ser lidos muito rápido, com vastas quantidades de informação absorvidas
a cada página.  Na TV cada detalhe exige uma posição de camera, e é um meio mais trabalhoso.

Com o dito acima em mente, o primeiro passo na adaptação é a escolha do livro. 
É muito importante achar o livro certo.  Erros comuns incluem pensar: um livro de sucesso
vai automaticamente fazer boa TV; romances classicos fazem TV classica; que fofocas, só-ação
"aeroporto"novelas fazem boa TV; que o "melhor" ou a maioria dos romances fazem boa TV.

O que o escritor que adapta um livro, faz geralmente? Ele muda as coisas. 
Nenhum livro pode ir diretamente para a tela.  Não existem regras, ele disse,
cada roteirista deve encontrar seu próprio método de aproximação. 
Mas algumas questões vitais precisam ser respondidas antes de se começar.

Adapto um livro que não gosto?  Amar um romance pode ser uma forma de falta de habilidade (muletas) assim como odia-los também, mas em algum nível se deve respeita-lo.  Voce não deve adaptar um livro se voce quer subverter
o que o autor intencionou.  Mas se voce acredita que o que voce está fazendo é no espirito do livro e segue as intenções do autor, podem-se tomar quantas liberdades voce quiser.  Será que devo ter uma relação com o autor original? Certamente que não. 
Se voce busca orientação, aprovação ou amizade será quase que seguramente inibido
(a escrever o roteiro).

De acodo com Adrian Hodges, a primeira regra de adaptação é a que nada é sagrado. 
"Um amigo meu se referiu a uma adaptação como rasgar livros em pedaços, jogar as páginas pelo chão
e observar onde aterrisam, e eu sei o que ele quis dizer". 
Muito certamente a estrutura de uma serie de TV é diferente da estrutura de um livro. 
Estrutura pode não ser a coisa mais importante num romance, mas na TV é essencial. 
O trabalho do adaptador é trazer personagens e ações vitais para o fundo
e minimizar e discartar tudo que não é relevante.

Estamos acostumados a idéia de que um livro de 500 páginas pode se tornar um filme de 90 minutos. 
Isto não pode ser atingido sem se jogar fora muito.  Existe mais tempo disponível numa série de TV,
mas isto não significa necessáriamente que se pode por mais do romance no programa de TV. 

"TV de Sucesso", disse Adrian Hodges, "depende de fazer a audiencia sentir que muito está acontecendo. 
Mas a mera acumulação de eventos não é o mesmo que isto.  As audiencias rápidamente se tornam chateadas
e sem repouso se apresentadas com ação pura e simples.  Muito poucos incidentes podem fazer uma hora de TV estimulante, contando que a audiencia possa estar envolvida intimamente com a vida dos personagens".

 Uma das tarefas chaves é decidir o que fica e o que não fica.  Voce pode ter que deixar cair alguém do livro
porque ele não se encaixa na sua estrutura proposta. 
O que vai ser o efeito desta escolha?  Será este o ponto de vista correto?

 TV necessita estabelecer seus personagens principais e a intriga muito rapidamente. 
"Na minha visão, voce está mais consciente da passagem do tempo na TV do que em qualquer outro meio". 
É muito importante que os personagens principais sejam estabelecidos cedo e que eles sustentem o centro do drama. 
O que nos leva a questão da estrutura. Será que a estrutura do livro é a certa para o sua série? 
Na maioria dos casos a resposta é não.  A primeira coisa que o adaptador precisa fazer
é decidir como trazer os personagens principais para frente e mantê-los no centro da ação. 
Isto inevitavelmente tem um impacto na estrutura - lembre-se, de que não se deve ter medo de mudanças radicais.

"Na minha visão, a adaptação de um livro a TV inevitavelmente envolve um processo de simplificação. 
Isto não quer dizer que a versão da TV precisa ser menos inteligente ou menos desafiadora,
mas quer dizer que será provavelmente mais linear, mais focada,
e menos inclinada a to wander... (imaginação que vagueia).

Outro problema do adaptador a enfrentar é a voz do autor, algo que os leitores gostam acerca dos livros
e esperam ver e encontrar no programa de series de TV.  O fracasso em capturar o "tom" de um livro
pode levar uma série a fracassar.  O problema pode ser solucionado de várias maneiras. 

Voz em off, é uma opção, mas nem sempre é adequado.  Personagens podem falar para a camera,
mas isto é muito arriscado.  A solução mais comum é trabalhar a voz do narrador em meio ao dialogo
e as ações dos personagens.  Em algumas situações isto significa pensar o dialogo que transmite
o mesmo espirito das descrições autor do livro. 

O que traz uma pergunta:  quanto da própria voz o adaptador deve usar? 
"Esta é fácil.  Tanto quanto ele necessitar.  Muitas vezes um adaptador hábil escreve dialogo melhor que o novelista".

Dialogo nas novelas literarias, não nos interessa quanto a sua inteligencia comica,
porque frequentemente isto soa pouco de forma pouco profunda quando transferida a um roteiro. 
Porque? Gasta muito tempo (de TV)

Dialogo na página pode ser lido velozmente e frequentemente é estilizado, i.e., diferente do jeito que pessoas falam. 
Falas longas são a maldição de adaptações para a TV. 

"Na página nos concentramos somente nas palavras, mas na TV nos tornamos conscientes
que o ator está fazendo algo por um longo tempo".  Isto é parcialmente causa da TV
que é um meio realista e nos temos a expectativa que seja verdadeira com a vida. 
Dialogo de TV não espelha a vida, mas tende a ser mais curta, mais rápida e muito mais focada diretamente. 
Uma fala longa é reservada para um momento especial do drama.

Para sumarizar:  os fundamentosde uma boa adaptação são: personagens, estrututa, ação, e dialogo, nesta ordem. 
Boa adaptação envolve re-escrever o romance. 
O adaptador não deve nada ao original exceto respeito pelas suas intenções
- mas isto não justifica mudanças pelo prazer de mudar.

Finalmente, extratos de "Contos da Cidade" foram mostrados para ilustrar os comentários feitos acima. 
Adrian Hodges apontou vários riscos que envolvem o projeto: livros muito conhecidos, o autor ainda vivo,
e os leitores do romance que se sentem apaixonados pelo texto do romance. 
Ao invés de rasgar o livro em pedaços e recomeçar, o roteirista tem, neste caso foi honesto em relação ao original. 
A estrutura é quase identica ao livro, o dialogo é quase verbatim - curto, dramatico e com golpes. 
O estilo do livro é episódico, com um formato de vários personagens - i.e. não há um personagem principal.

"Em conclusão, parece-me que em várias maneiras, livros fazem menos boa TV do que idéias originais,
mas isto não altera o fato que livros foram e permanecerão como bens principais na industria de entretenimento televisiva".

   

Leituras no PILOTS Workshop Junho\Outubro 1993

MEDIA BUSSINES SCHOOL - Comunidade Européia


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